Crítico de Vinhos

Crítico de Vinhos

Mais sobre a profissão

Modalidades:

Presencial

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Idiomas:

Francês, Inglês, Português

O Crítico de Vinhos é responsável por provar a avaliar vinhos. Trata-se, portanto, de um perito na degustação do vinho, analisando as qualidades e defeitos das várias marcas e destacando as melhores escolhas, por exemplo, em artigos no jornal e/ou blogues.

Mas vem saber tudo sobre a profissão…

A produção de vinhos é um dos setores mais tradicionais do setor económico em vários países do mundo. Mas, apesar de ser uma arte antiga, continua a ser uma área muito dinâmica e que continua a crescer, com diversas oportunidades de negócio e de emprego.

Todos os anos, surgem notícias e análises sobre novos vinhos produzidos em diferentes cantos do planeta. Neste âmbito, a profissão de Crítico de Vinhos surge como fundamental para divulgar as novidades e as melhores escolhas em termos de paladares.

Assim, um Crítico de Vinhos é acima, de tudo, um especialista em vinhos que tem de provar e “cuspir” vários litros de vinho ao longo do ano.

Repara que os profissionais mais conceituados chegam a consumir em poucos meses três vezes mais vinho do que o consumo anual per capita em Portugal.

Portanto, é também preciso saber beber. Mas, além disso, é necessário um paladar apurado, bem como conhecimentos profundos sobre o vinho.

Fica connosco para descobrires mais sobre esta profissão…

Quanto ganha um Crítico de Vinhos

Os Críticos de Vinhos podem ter salários muito distintos, conforme a sua experiência e o nome que tenham no mercado.

Além disso, também é preciso considerar para quem trabalham e como exercem o seu trabalho.

Há profissionais freelancers que vivem da escrita de críticas sobre vinhos em blogues ou jornais. Portanto, os seus rendimentos podem variar muito.

Mas também há aqueles que têm contratos de trabalho, por exemplo com publicações especializadas em vinhos ou com exportadores e importadoras, bem como com outro tipo de empresas. Tudo depende do potencial económico e da dimensão desse empregador.

Contudo, quem abraça esta área fá-lo mais por amor do que propriamente pelo dinheiro. Portanto, o essencial é gostar do que se faz e ter mérito na profissão.

O que faz um Crítico de Vinhos

O trabalho de uma/um Crítico de Vinhos passa por provar diversos paladares desta bebida. Assim, costuma fazer provas cegas para não se deixar influenciar previamente por uma ideia que já tenha sobre os vinhos que vai degustar.

Contudo, essas provas podem não ser totalmente cegas. Deste modo, os vinhos podem ser divididos por tipo, região e categorias. Até porque alguns Críticos de Vinhos se sentem mais desconcentrados e com as suas capacidades de degustação afetadas em provas cegas.

De qualquer modo, esses profissionais podem ter de provar cerca de 40 vinhos diferentes por dia. Mas tudo depende da rotina do trabalho.

Os Críticos de Vinhos confundem-se, hoje em dia, com influencers ou influenciadores da área dos vinhos no mundo digital. Na verdade, eles podem mesmo ditar as tendências de consumo do setor vinícola.

A maioria dos consumidores leva em conta o peso das opiniões dos especialistas na decisão de compra de uma marca em detrimento de outra. Portanto, esses profissionais podem ser essenciais para o sucesso de um vinho.

Como se faz a classificação de um bom vinho?

O vinho tornou-se, nos últimos anos, uma bebida da moda. Portanto, acabou por motivar o aparecimento de vários blogues e sites dedicados a esse mundo. Assim, há uma panóplia bem grande de “críticos” de vinho.

Contudo, é preciso distinguir os profissionais dos meros enófilos, ou seja, apaixonados ou apreciadores de vinhos. O Crítico de Vinho faz disso profissão, o que significa que é pago pelas suas críticas, mas também que tem formação específica na área.

Assim, ele consegue provar, analisar e escrever sobre vinhos com conhecimento e precisão. É assim que ele consegue fazer a classificação de um bom vinho.

Neste sentido, há vários modelos de avaliação, mas só vamos abordar aqui os dois mais conhecidos e mais utilizados:

  • Escola francesa – escala de avaliação vai de 0 a 20: vinho com nota 20 é “verdadeiramente excecional”, um de nota 12 tem “falhas ou desequilíbrio”;
  • Escala Robert Parker – vai de 50 a 100 pontos: de 50 a 59 pontos, um vinho é “inaceitável”, enquanto de 70 a 79 é “médio”; a pontuação de 96 a 100 só é dada a um vinho “extraordinário”.

Robert Parker, o “Imperador” dos Críticos de Vinhos

O norte-americano é um dos mais conceituados Críticos de Vinhos de todos os tempos. Ainda hoje, embora já reformado da atividade, é considerado o “Imperador”.

Parker foi o fundador da conceituada The Wine Advocate. Essa publicação especializada ditou, durante anos, as tendências de consumo no mundo dos vinhos, chegando a levar a que alguns esgotassem das prateleiras dos supermercados.

Na verdade, Parker começou por ser um Advogado de sucesso. Ele optou por deixar a ideia de ser Crítico de Vinhos em stand-by porque receava que fosse uma profissão “romântica e pouco rentável”, como chegou a dizer.

Mas, na realidade, em 2012, Parker amealhou 15 milhões de dólares com a venda da sua participação maioritária na Wine Advocate. Nascida em 1978 com menos de 600 assinantes, a revista tem, atualmente, mais de 50 mil assinantes em todo o mundo.

A publicação continua a usar o nome de Robert Parker, nomeadamente no seu site, como selo de qualidade.

As críticas publicadas na Wine Advocate, ao longo dos anos, eram tão valorizadas pelo mercado que alguns produtores acabavam a personalizar os seus vinhos para os adaptarem ao paladar apurado de Parker.

Na atualidade, há Enólogos e Vinicultores que integram Críticos de Vinhos nas suas equipas de trabalho, com o intuito de aperfeiçoar a bebida que chega ao consumidor final.

Quais as suas funções

Como já vimos, o trabalho de uma/um Crítico de Vinhos passa por provar e analisar a qualidade dos vinhos. Mas a questão é como se processa esse trabalho?

Na verdade, o especialista tem de avaliar vários critérios muito precisos, comparando, assim, as características dos vinhos que tem em mãos. Portanto, esses critérios fundamentais são os seguintes:

  • Cor e Aparência – na escala de Parker, esse aspeto costuma valer até 5 pontos no máximo.
  • Aroma e bouquet – este fator reporta para a dimensão e intensidade do vinho e vale um máximo de 15 pontos.
  • Sabor e Acabamento – o equilíbrio e a profundidade no palato são os tópicos deste ponto que vale até 20 pontos.
  • Potencial para evolução – tem a ver com o potencial de envelhecimento do vinho e pode ser avaliada até 10 pontos.
  • Nota Final – este é o tópico mais importante, pois pode valer até 50 pontos, e está relacionado com o olhar pessoal do crítico e geral em torno do vinho.

Mas afinal, o que é um bom vinho?

Estes critérios ajudam a pontuar os vinhos e, portanto, a classificá-los por qualidade. Mas subsiste a pergunta: afinal, o que define um bom vinho?

A avaliação de degustação reflete a qualidade do vinho no momento da prova, mas também reporta para a sua qualidade potencial, pois tem em conta a sua progressão. Assim, o Crítico de Vinhos faz uma antecipação de como o vinho será no que, no setor, se chama o seu “auge”, ou seja, quando estiver mais envelhecido.

Tens de entender que o processo não tem tanto a ver com gosto e preferências pessoais, mas está mais relacionado com o conhecimento técnico. Assim, o Crítico de Vinhos precisa de analisar aspetos como a idade do vinho e a filtração, entre outros.

Em termos gerais, a avaliação de um bom vinho passa pelas seguintes fases:

  • Exame visual (analisa, por exemplo, tonalidade de cor limpidez e brilho)
  • Análise olfativa (debruça-se sobre dados como, por exemplo, aroma, intensidade, nitidez e presença de defeitos)
  • Apreciação gustativa (o Crítico deve estar atento a fatores como, por exemplo, equilíbrio, acidez, sabor e à sua persistência na boca).

Como classificar vinhos

No âmbito da sua análise, o Crítico de Vinhos usa uma série de termos técnicos para caracterizar os paladares provados. Eis alguns desses termos:

  • Animal (reporta para sabores “animalescos” como couro e almíscar, por exemplo)
  • Aveludado (define vinhos macios e sedosos na boca)
  • Cheio (um vinho com muita fruta madura)
  • Crocantes (mais usado nos brancos para se falar da acidez)
  • Elegante (aponta para o equilíbrio dos vinhos)
  • Extravagante (vinho com muitos aromas)
  • Especiado (reporta para um vinho com especiarias como baunilha, canela ou pimenta)
  • Estruturado (há quem prefira usar a expressão “ossos do vinho” para falar da base de taninos)
  • Robusto (reporta também para uma sensação forte da presença de taninos)
  • Fechado (vinhos cujos sabores e aromas não são muito marcados)
  • Gastronómico (vinhos ideais para acompanhar refeições)
  • Mineral (reporta para os componentes do solo e para paladares terrosos e salinos)
  • Salino (habitualmente usado nos vinhos brancos para referir a textura de sal na boca)
  • Terroso (reporta para tons de relva ou terra seca)
  • Profundo (é o mesmo que longo e persistente e define vinhos que enchem a boca de sabores)
  • Suculento (é como aquela comida que nos faz salivar e pedir por mais, incitando a mais um golo)
  • Tenso (é o mesmo que vibrante e usa-se para definir um vinho com paladar a fruta fresca)
  • Untuoso (é um vinho com textura de óleo ou viscoso, com muito volume)
  • Vertical (define vinhos intensos e profundos que persistem no palato).

Saídas no Mercado de Trabalho

O setor dos vinhos continua a crescer todos os anos, com novas e melhores oportunidades surgindo. Há uma multidão de enófilos que adora vinhos e todo o universo em seu torno e que, portanto, devoram tudo o que se diz sobre as várias regiões vinícolas.

Assim, os Críticos de Vinhos podem ter boas chances de marcarem a diferença no mercado. Apesar disso, não existem muitas ofertas de emprego nesta área. Porém, é um campo apelativo para os que percebem muito de vinhos e têm talento e gosto pela escrita. Se é o teu caso, podes pensar desde já em iniciar o teu blogue de vinhos!

Além de blogues e sites, o Crítico de Vinhos pode trabalhar em jornais e revistas. Mas também pode escrever livros ou colaborar em guias sobre os melhores vinhos.

As publicações especializadas são, habitualmente, situadas numa região ou num país, como, por exemplo, o Guia Peñin de Espanha, O Guia de Vinhos Portugueses ou o Gambero Rosso em Itália.

Na América do Sul, o mais famoso é o Guia Descorchados que abrange Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, ou seja, os grandes produtores daquela parte do continente.

Mas independentemente das saídas e das oportunidades, o mais importante é o gosto pelo trabalho e a paixão com que se exerce.

Como ser Crítico de Vinhos

Não há uma formação obrigatória para ser Crítico de Vinhos. Contudo, é obrigatório saber muito de vinhos. Mas repara que não é um saber de leigo, digamos, mas antes requer um conhecimento técnico e especializado.

Assim, é fundamental ter uma formação em Enologia ou em alguma vertente dos vinhos para poder afirmar-se no setor. A credibilidade e as referências são essenciais para conseguir ter oportunidades.

Porém, há pessoas que de fato começam a fazer crítica de vinhos como um hobby, alimentando um blogue, por exemplo. Algumas vão viajando por regiões vinícolas e fazendo cursos e workshops por puro prazer por esse mundo. Daí a tornarem-se Críticos de Vinhos profissionais pode ser um pequeno passo.

Portanto, não há um percurso profissional evidente. Nada que te indique que caminho deves seguir. O truque é alimentar a paixão pelos vinhos com conhecimento, empenho e de peito aberto. E a tua hora chegará!

Onde estudar para Crítico de Vinhos

Há muitos cursos na área dos vinhos, desde formações profissionais a workshops mais técnicos. Mas também há muita banha da cobra por aí.

Portanto, deves procurar bem e fazer uma escolha criteriosa. Pensa que uma boa formação pode abrir-te as portas do mercado de trabalho.

Assim, aponta para cursos que abordem todo o universo dos vinhos e não apenas o consumo da bebida em si. Deste modo, é importante que o conteúdo programático inclua detalhes como as características e os tipos de vinho, bem como a forma correta de serem servidos.

Mas para perderes menos tempo nessa procura pela formação certa, deixamos-te de seguida algumas opções para avaliares…

Portugal:

Brasil:

Agora que percebeste como é e o que faz um Crítico de Vinhos, já sabes que não é para qualquer um! Portanto, pensa com o coração, mas também com a cabeça, e pondera se estás talhado para este ofício desafiante. Se é o teu caminho, avança! Desejamos-te muito sucesso.

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