Filigranista

Filigranista

O filigranista é o profissional que trabalha com filigrana. Esta é uma das técnicas mais antigas de ourivesaria do mundo, consistindo no trabalho ornamental com fios muito finos e minúsculas bolas de metal de ouro, prata ou outros metais preciosos e semipreciosos.

Outros nomes para esta profissão: Filigraneiro

  • Modalidades: Presencial
  • Ordenado Médio Mensal: 1000€ - 1500€
  • Empregabilidade: Baixa
  • Empregabilidade: Trabalho Solitário
  • Disciplinas do Secundário/ensino médio: História da Cultura e das Artes, Materiais e Tecnologias, Oficina de Artes
  • Idiomas: Português

A filigrana é uma arte milenar e uma das mais antigas técnicas de ourivesaria. Mas o que é afinal?

Trata-se do ofício de quem trabalha com fios muito finos de ouro ou prata, ou ainda de outras pedras preciosas e semipreciosas, que são entrelaçadas e soldadas de forma muito delicada.

Países como Portugal e Espanha têm uma forte tradição neste tipo de ourivesaria, onde as peças parecem rendilhados muito elaborados. Por isso se vê logo que a atividade exige uma grande dose de paciência e uma especial habilidade manual.

No Norte de Portugal, especialmente nas cidades de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso, existe uma forte tradição de mestres filigranistas. Estes dois municípios desenvolveram uma certificação de qualidade, com o selo “Filigrana de Portugal”, para atestar as peças que são feitas de forma tradicional.

A profissão continua a passar de geração em geração, com os mestres filigranistas a ensinarem aos mais novos, por vezes elementos da própria família, os saberes que conheceram dos pais e dos avós.

Quanto ganha um filigranista

Não há uma tabela salarial que indique os salários dos filigranistas. Portanto, é difícil falar em rendimentos médios.

No mercado de trabalho existem muitas situações distintas. Por um lado, os mestres filigranistas têm um saber acumulado que valoriza o seu trabalho e, assim, lhes garante salários melhores. Por outro lado, os iniciantes na profissão, sem muita experiência, ganham um pouco menos.

Mas tudo depende sempre do local onde façam o seu trabalho. Nas joalharias mais requintadas e reconhecidas, onde se fazem peças mais caras e elaboradas, os valores serão sempre mais interessantes.

A história da filigrana

A arte da filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, tendo sido descobertas peças de mais de 2 mil anos em regiões do Iraque e da Síria.

Mas foi durante os Impérios romano e grego que se tornou popular. Aliás, foram os romanos que inventaram a palavra “filigrana”.

Contudo, a filigrana também chegou à Índia e ao Médio Oriente, a países como a China, por exemplo, onde era usada sobretudo na decoração de peças como esculturas, pratos e caixas.

As técnicas dos filigranistas foram evoluindo ao longo do tempo e, atualmente, as peças são bem diferentes. Todavia, há ainda semelhanças.

A arte acabou por chegar à Península Ibérica por influência dos romanos. Mas foram os árabes que trouxeram novos padrões e que ajudaram a transformar a filigrana que se fazia em Portugal e Espanha e que se diferencia do resto do mundo.

A filigrana portuguesa

Em Espanha, a arte foi perder vigor com o tempo, mas em Portugal manteve-se viva até aos dias atuais. Além disso, foi evoluindo e criando moldes únicos que não se encontram em mais nenhuma parte do mundo.

Na filigrana portuguesa, surgem habitualmente elementos ligados à natureza, por exemplo flores e grinaldas, ao mar, como peixes, conchas e barcos, à religião e ao amor como os famosos corações de Viana.

Gondomar tornou-se no principal produtor de ourivesaria portuguesa e também de filigrana, pois as serras de Pias e Banjas forneceram os filigranistas locais com a matéria-prima necessária para as suas peças ao longo de anos. 

No vídeo que se segue pode ficar a conhecer melhor o que é a filigrana portuguesa…

O que faz um filigranista

O filigranista tem por missão dar forma a pequenos e finos fios de ouro ou de prata, ou de ambos, bem como de outros metais semipreciosos. A partir desses fios, cria molduras de diversas formas e depois preenche-as com um rendilhado de ouro de forma muito delicada.

Mas o papel destes profissionais pode também passar por outras fases do processo de “nascimento” de peças em filigrana. Trata-se de um processo demorado e que se divide em várias fases que vamos descrever de seguida:

  • Fundição dos metais a utilizar
  • Estiragem para estender os fios e diminuir a espessura
  • Batimento
  • Cozimento
  • Branqueamento
  • Preenchimento das molduras
  • Acabamentos e montagem de peças.

Nalgumas oficinas artesanais de filigrana, muitas vezes os processos de trabalho são divididos por pessoas especializadas em cada um deles.

É certo que o preenchimento das molduras é o momento mais delicado do processo, uma vez que requer muita paciência e grande engenho manual.

Nas ditas oficinas artesanais, são as chamadas “enchedeiras” que tratam desta fase, pois têm muita experiência e mestria na tarefa.

Filigranista a criar um coração em filigrana

Quais as suas funções

O trabalho mais fundamental do filigranista é torcer e moldar fios de ouro ou prata muito finos, de forma a poder aplicá-los em molduras com diversas formas, num efeito final de rendilhado elaborado e delicado.

Muitas oficinas ainda trabalham com o tradicional método artesanal de produção da filigrana, embora algumas das fases sejam, atualmente, aceleradas por processos mais modernos.

Mas alguns locais também já compram a matéria-prima, ou seja, os fios, prontos a usar, pelo que deixa de ser necessário passar pelo trabalho moroso de transformar os metais preciosos.

Atualmente, há peças de filigrana que não respeitam a produção arsenal, com o rendilhado que caracteriza a arte a ser feito com o método de injeção. Contudo, as peças obtidas não têm a mesma autenticidade.

Fases e funções principais da filigrana artesanal

Vamos apresentar, de seguida, aquelas que são as principais fases do processo de criação da filigrana artesanal e que constituem boa parte do trabalho de um filigranista:

1. Desenho

O desenho das peças a fabricar pode ser feito pelo próprio filigranista ou baseado em desenhos-modelo já existentes. Nalgumas oficinas, também há designers de jóias que tratam deste processo.

Estamos a falar de um tipo de desenho técnico que deve incluir todos os detalhes necessários para o fabrico da peça a uma escala o mais real possível.

2. Fundição

O metal a utilizar é fundido e moldado numa barra comprida. A chapa obtida é depois martelada até se transformar numa lâmina que será cortada ou recortada conforme as peças a criar.

3. Obtenção do fio

O metal fundido é batido e estirado para se transformar em fios muito finos, com espessuras inferiores a 0,2 milímetros, que vão constituir o corpo da filigrana.

4. Torção do fio

Os fios são juntados aos dois a dois e torcidos com a mão em esses, uma vez que é preciso obter espirais e rodilhões (Póvoa de Lanhoso) ou crespos (Gondomar). Os cordões unidos vão depois à forja para recozer e ligar os dois fios. Logo de seguida são esmagados por um cilindro, para ficarem mais leves e laminados.

5. Formação da “armação”

O esqueleto da peça é, no fundo, a moldura onde será feito o rendilhado de filigrana. Portanto, esta moldura será feita a partir de uma chapa/fita de ouro ou prata para obter a largura pretendida e os contornos da peça, enquanto também serve para assegurar a sua resistência.

 6. Enchimento

Nesta fase, é preciso preencher os espaços vazios do esqueleto ou da moldura com o fio da filigrana. Assim, trata-se de um trabalho que tem de ser feito por artesãos de mãos delicadas, pois requer movimentos de muita minúcia.

7. Soldadura

A soldadura das peças é uma operação bastante difícil, uma vez que requer muita perícia. Portanto, deve ser feita por pessoas experientes. O filigraneiro solda as peças para unir os seus diferentes elementos sem que se veja a soldadura.

8. Moldar a peça

Quando a peça tem várias componentes, é preciso juntá-las, montá-las e embuti-las com recurso a ferramentas adequadas, como por exemplo, um martelo e pinças de filigranista, dando-lhe forma e relevo.

9. Acabamentos

Na fase final, as peças têm de passar por processos de branqueamento, escovagem e secagem. Assim, após a soldadura e uma vez que ficam sujas, são novamente recozidas a altas temperaturas. Depois do arrefecimento, passam por uma mistura de água com ácido sulfúrico a ferver para assumirem a cor da prata.

Todavia, ainda é necessária esfregar as peças com escovas de metal adequadas, bem como com água e detergente, para ficarem brilhantes. Contudo, este processo manual pode ser substituído por uma máquina de polir.

Todavia, só após a secagem é que as peças são dadas como concluídas.

Lista de utensílios utilizados pelos filigranistas artesanais

  • Alicate de metal
  • Balança para pesar os metais que compõem as ligas
  • Banco de puxar fio
  • Bigorna de ferro para bater chapa, aperfeiçoar peças e rebitar
  • Borrachinha ou cacifo para distribuir a solda
  • Buril para cortar ou gravar metais
  • Cadinho para fundir o metal
  • Candeia para dar fogo às peças a soldar ou recozer
  • Carrinho de puxar fio
  • Cilindro de fios para laminar o fio
  • Dobadeira e bobine para enrolar o fio
  • Embutideira de madeira ou aço para dar forma côncava a chapas recortadas
  • Escovas (por exemplo, para limpar peças e a mesa, recolher limalha…)
  • Ferro de crespo ou rodilhões (é uma espécie de alicate para encurvar o fio)
  • Fieira ou damasquilho para reduzir a espessura do fio
  • Forja
  • Laminador manual ou elétrico
  • Lima de ferro ou aço para polir ou desbastar metais
  • Maçarico a gás para soldar, aquecer e recozer peças
  • Maçarico de sopro ou bucal para soldar a peça
  • Máquina de esferas para polir peças
  • Martelo de ferro ou aço em bico
  • Mesa ou banca de ourives
  • Pinça ou buchela para trabalhar/enrolar o fio no enchimento.
  • Placa refratária de areia prensada para apoio à soldadura e recozimento.
  • Rilheira em ferro ou aço que recebe a liga fundida
  • Rubis para o adelgaçamento do fio
  • Secador
  • Serra ou serrote de aço
  • Tais ou tás onde o filigranista trabalha
  • Tenaz de ferro ou aço para agarrar/segurar as peças
  • Tesoura para cortar o fio da filigrana

Saídas no Mercado de Trabalho

Não há muitas saídas para a profissão de filigranista, uma vez que se trata de uma profissão com competências e uma abrangência muito específicas.

Mas estes artesãos podem trabalhar em fábricas ou oficinas de produção de ourivesaria, de joelharia e de artefactos semelhantes.

Todavia, também podem encontrar emprego no comércio de varejo ou de retalho que se dedique à venda de artigos de joelharia, de souvenirs e de artesanato, ou ainda à venda de artigos de ótica.

As oficinas de reparação de joias, bem como o comércio atacadista de joias, relógios e bijuterias são outros exemplos de saídas no mercado de trabalho.

Para quem pretende seguir os métodos da filigrana artesanal, continua a haver algumas oficinas importantes, por exemplo, na região norte de Portugal, onde a tradição ainda impera em negócios de cariz familiar e de produção de pequena escala.

Como entrar na carreira de filigranista

As artes tradicionais vêm suscitado um crescente interesse de jovens criadores, nos últimos anos. Portanto, o setor da filigrana tem revelado sinais de inovação e continua a ter bastante vitalidade.

Todavia, não há muitas ofertas de emprego. Assim é preciso estar atento e saber aproveitar as que surgem.

Obter formação profissional pode ser muito importante para entrar na profissão, pois é uma área onde se pede, habitualmente, alguns anos de experiência. Trata-se de um trabalho muito meticuloso e preciso, pelo que exige muita prática e bons conhecimentos.

Começar como aprendiz no atelier ou oficina de um filigranista pode ser uma boa escolha. Mas muitas vezes, a arte é passada de geração em geração, passando de pais para filhos que dão continuidade aos negócios de família.

Assim, pode não ser muito fácil começar, mas o importante é ser persistente e procurar qualificação profissional adequada.

Onde estudar para filigranista

Trabalhar com filigrana exige grandes conhecimentos técnicos e uma mestria muito particular, assim é importante apostar em formações profissionais de qualidade.

De um modo geral, vão surgindo alguns cursos para filigranistas, promovidos por entidades relacionadas com a ourivesaria e a relojoaria. Mas não há assim tanta oferta no mercado da formação.

Deve procurar cursos reconhecidos e com uma grande componente técnica, uma vez que é essencial ganhar experiência a trabalhar na filigrana.

Apresentamos-lhe, já de seguida, algumas opções para poder fazer uma formação na área da filigrana…

Portugal:

Brasil:

Agora que ficou por dentro do que implica ser um ou uma filigranista, está na hora de ponderar se esta profissão se encaixa no seu perfil. Porém, saiba desde já que o caminho pode ter espinhos. Assim, prepare-se bem!

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